Xyp9x, olofmeister, woxic… Como a MIBR pode se remontar?

Nomes livres no mercado e opções viáveis podem ser o futuro da org despedaçada

A MIBR implodiu no último domingo (13/09/2020) após a direção da organização afastar Epitácio “TACO”, Fernando “fer”, o manager/coach Ricardo “dead” e Gabriel “FalleN” ter pedido para ser movido ao banco de reservas em solidariedade aos colegas. A tag gerenciada pelo grupo milionário da Immortals ainda existe, mas os dois jogadores remanescentes, Alencar “trk” e Vito “kNgV-“, já manifestaram e reiteraram publicamente a insatisfação com o momento vivido. Sendo assim, como esse time pode se reestruturar?

Para começo de conversa, a marca MIBR, abreviação de Made in Brasil (feito no Brasil, em tradução literal do inglês), precisa de brasileiros para ter razão de ser, então garantir a permanência de kNg e trk ou contratar o quanto antes novos tupiniquins para integrar o elenco são prioridades. Isso considerando que a Immortals tenha interesse em manter a tag em vez de criar outra ou simplesmente encerrar o investimento no CS:GO.

Daps e woxic

Nas última semanas, alguns jogadores de renome internacional ficaram sem time e não seria nenhum absurdo que eles fossem incorporados, como é o caso do AWPer turco Özgür “woxic”, atualmente no banco de reservas da europeia mousesports. O In-Game Leader (IGL) da Gen.G, o canadense Damian “daps”, já comunicou a decisão de deixar a equipe tão logo eles encontrem um quinto jogador e também poderia ser adicionado ao elenco da MIBR. O primeiro poderia suprir a ausência de FalleN e o segundo tiraria a responsabilidade de liderança de kNg.

Olof e Xyp9x

O quinto elemento poderia ser uma contratação bombástica, o que exigiria habilidade de negociação e um bom dinheiro. Grandes nomes do cenário, e aqui cito o “ministro do clutch”, Andreas “Xyp9x, e o lendário Olof “olofmeister”, seriam opções teoricamente viáveis nessa projeção ainda sem qualquer fundamento que me propus a fazer. Ambos estão afastados de seus times, Astralis e FaZe Clan, respectivamente, por motivos de saúde, mas uma boa proposta e algum planejamento de carreira poderiam atraí-los para o projeto. Existe um precedente bem atual com Markus “Kjaerbye”, que deixou a North por questões mentais e foi contratado pela própria FaZe em agosto, ocupando o posto que uma vez foi de olof.

Já pensou o Ministro do clutch na MIBR? (Foto: divulgação/ESL)

b4rtin e dumau

A Immortals também tem cacife para pagar o buyout de outros jogadores ou envolver seus membros inativos em negociações. As orgs brasileiras que atualmente estão nos EUA, Team oNe, Yeah Gaming e paiN Gaming, seriam as opções óbvias para procurar novos brasileiros. Jogadores como Bruno “b4rtin”, da oNe, de 18 anos, e Eduardo “dumau”, da Yeah, de 16, são destaques em seus times e trariam benefícios técnicos à MIBR mesmo que dois terços da equipe não tivessem saído. No caso de b4rtin, a reedição da dupla com trk, como nos tempos com os Golden Boys, ainda teria o potencial de acrescentar pontos de entrosamento ao novo time.

BOOM e Sharks

Os times brasileiros que não retornaram aos EUA devido à pandemia do novo coronavírus, casos de BOOM Esports (ex-INTZ) e YNG Sharks, também são alvos prováveis. Por mais difícil que seja de imaginar o encaixado e vitorioso elenco da BOOM se desmanchar no momento, quando se negocia com um titã como a Immortals pouca coisa é impossível. Eu não me surpreenderia, inclusive, se, caso kNg e trk decidam não seguir na MIBR, o grupo simplesmente adquirisse o roster completo da BOOM.

Em caso de saída de kNg e trk, não seria impensável que a MIBR contratasse um roster completo (Foto: divulgação/BOOM)

E o coach?

Caso a MIBR decida reerguer seu elenco, precisaria se preocupar em compor uma comissão técnica, começando por contratar um novo coach para a equipe, posição vaga desde a saída de Wilton “zews”, no fim de março de 2020. Depois disso, dead acumulou o papel de manager com a de coach e ainda respondeu em uma ‘live’ que não existia ninguém capacitado no Brasil para assumir a função.

O ex-manager da MIBR chegou a citar Alessandro “Apoka”, atualmente na BOOM, como alguém viável, mas não se aprofundou no assunto e deu a entender que os jogadores não queriam um novo treinador. Com a reformulação do elenco, os nomes desprezados por dead na ocasião podem se tornar opções e acredito que a contratação de um coach internacional também está na mesa.

cky, ellllll, peacemaker, tacitus

Nomes como Olavo “cky”, treinador da Team oNe e ex-jogador pela antiga versão da MIBR, poderiam trazer experiência e identificação. O mesmo vale para Bruno “ellllll”, que se mudou recentemente para a América do Norte com a paiN Gaming e também atuou pela lendária tag brasileira na época do CS 1.6 e CS: Source. Um nome bastante comentado pela comunidade em redes sociais é o de Luis “peacemaker”, que obteve sucesso com a dinamarquesa MAD Lions este ano. Ele e kNg, no entanto, já se estranharam virtualmente e caso o atual IGL do time permaneça, esse fato poderia ser um dificultador para a ida.

peacemaker (acima) e kNg já se estranharam nas redes, mas quem sabe? (Foto: Divulgação/DreamHack)

Outro nome é do brazuca Marcos “tacitus”, atualmente na Triumph, equipe emergente do cenário norte-americano. Ele demonstrou um bom trabalho à frente da equipe gringa e trabalha, no momento, na reconstrução do time após a saída de dois jogadores importantes. Em entrevista no começo de setembro ao GE.com, tacitus revelou que prefere atuar como analista, apesar de estar gostando da experiência de momento, então ele poderia até ser incluído na comissão técnica sem a necessidade de tomar à frente.

Rejin, Elmapuddy, T.c etc

Em 2018, a MIBR contou com o sérvio Janko “YNk” como técnico do time por cerca de 4 meses antes de decidir pelo retorno de zews. Contratar alguém que não fala português, portanto, está dentro do leque de opções críveis para a nova equipe. Após o escândalo de abuso de um bug no observador, que culminou na demissão de vários coaches, alguns deles admitiram o uso do recurso ilegal e estão atualmente suspensos. É o caso do dinamarquês Allan “Rejin”, da mousesports, do finlandês Slaava “Twista”, da ENCE, e do russo Ivan “F_1N”, da Gambit Youngsters. A Immortals poderia criar uma narrativa de redenção e apostar em algum deles.

Obviamente que a alternativa mais segura seria tirar um coach de outro time. O canadense Armeen “a2z”, da Swole Patrol, o australiano Chris “Elmapuddy”, da Gen.G, e o sul-africano Tiaan “T.c” , da Cloud9, seriam opções dentro do NA. Faltam a todos eles trabalhos prévios relevantes, mas talvez o que lhes falte seja um projeto mais ambicioso para encaixá-los.

Todo esse texto é um gigante exercício de conjetura, a maior parte com base em teorias e coisas que podem até fazer sentido, mas não encontram respaldo em nenhuma apuração jornalística conhecida atualmente. O time brasileiro mais relevante do planeta se desmantelou e o futuro é incerto. Acho que o brasileirinho pode criar as teorias dele para ser feliz enquanto as coisas não se restabelecem.