Tony Hawk’s Pro Skater pode entrar para os Esports?

Elementos arcade e players influentes podem levar jogo ao competitivo

Muito mais que nostalgia, Tony Hawk Pro Skater 1+2 traz possibilidades interessantes para jogadores casuais e para quem vislumbra ir além do básico. A depender da recepção e da vontade dos desenvolvedores, o recém lançado título de skate poderia até ser inserido no cenário de games competitivos.

O jogo original foi lançado em 1999, um ano antes do atual maior jogo competitivo do mundo, CS:GO, e pode combinar sua tradição com elementos novos para se consolidar em um mercado acirrado e, cada dia mais, encorpado dos Esports. Veja abaixo os por quês:

Streamers de Tony Hawk

De acordo com o site Twitchtracker, que mapeia a audiência dos diferentes títulos na Twitch, THPS 1+2 alcançou a 26ª posição global entre os jogos mais assistidos da plataforma nos primeiros sete dias de setembro, com 15,7 mil visualizações por dia e 2,4 milhões de horas assistidas. Isso o colocou à frente de Rainbow Six: Siege e Rocket League, ambos já estabelecidos como Esports há alguns anos.

Esse interesse pode ser o suficiente para atrair atenção de eventos e patrocinadores dispostos a ligar sua marca à da franquia. Pode também motivar influenciadores e jogadores a intensificarem a quantidade de horas jogadas e criarem um gameplay profissional para a versão remasterizada do clássico. Por enquanto, ainda conforme a Twitchtracker, os principais streamers foram do canal We Are The VR e do canal HatFilms.

Jogo tem encontrado seu nicho nas plataformas (Foto: Reprodução/Twitch)

Modos de jogo

Além do single player, que traz boas recordações para quem tem mais de 25 anos e teve um Playstation, o game tem um modo multiplayer on-line que inova a experiência oferecida pela franquia no passado. Em poucos dias de lançamento – foi liberado em 04/09/2020 – os servidores já registram jogadores com pontuações absurdas.

THPS trouxe de volta os conhecidos modos grafitti e trick attack e acrescentou desafios que consistem em atingir primeiro uma pontuação específica (geralmente entre 100 mil e 150 mil) ou conseguir o maior combo em pouco tempo. O nível de jogatina já está tão elevado que algumas pessoas alcançaram 1 milhão de pontos em menos de 30 segundos (!). Com essa escalada de desempenho, é fácil imaginar que alguns nomes vão se destacar em breve, possibilitando uma nova modalidade de esports.

Novos modos de pontuação podem ser prato cheio para o competitivo (Foto: Reprodução)

Exemplos não faltam

Jogos casuais e sem aparente apelo competitivo já foram usados em torneios com premiações robustas. Em julho de 2020, a Electronic Arts, ELEAGUE e o BuzzFeed promoveram uma espécie de torneio misturado com reality show de The Sims 4, com premiação de 100 mil dólares e transmissão em uma emissora dos EUA. Em 2019, o simulador da vida na fazenda Farming Simulator ganhou uma liga competitiva que rendeu até mesmo um artigo na Forbes. Então por que não Tony Hawk’s?

Valor endêmico

Durante as primeiras semanas de quarentena global devido à pandemia do novo coronavírus em 2020, grandes ligas de futebol, como a Premier League e até o Campeonato Brasileiro, promoveram competições de FIFA e PES com suas estrelas controlando os times virtuais. Isso gerou engajamento e entretenimento suficiente para criação de peças publicitárias e ações promocionais de patrocinadores. A Fórmula 1, a NBA e a NASCAR seguiram por caminhos parecidos.

Mesmo antes da covid-19, algumas ações similares já haviam acontecido, como o e-Brasileirão, que ocorreu em 2019 concomitantemente ao campeonato nacional. Sendo assim, não seria viagem alguma imaginar um competitivo de THPS atrelado aos X-Games e outros expoentes dos esportes radicais.

Conclusão

Tony Hawk Pro Skater 1+2 pode sim chegar a ter um circuito competitivo. É possível imaginar essa entrada ocorrendo com uma melhor organização de modos e de um ambiente que interesse às organizações. Premiações atrativas, calendário fixo, interação com fãs e patrocinadores podem ser boas formas de colocar o jogo de skate no ambiente dos Esports.

Um dos pontos negativos atualmente é a falta de um sistema interno no jogo de ranking, níveis ou patentes. Ao entrar no multiplayer on-line, usuários de diferentes patamares competem entre si, sem que haja um equilíbrio por habilidade, coisa que nos primórdios de jogos como CS:GO e DoTA 2 atrapalharam muito a curva de evolução de novos players. É um problema simples de ser corrigido, porém e se houver vontade, haverá um jeito.