Por que as marcas devem estar presentes nos esports

Pode reparar: praticamente todas as montadoras de carros estão ou estiveram presentes em uma ou mais modalidades do cenário competitivo de Esports. Em 2017, a Astralis anunciou a alemã Audi como patrocinadora. O acordo durou apenas um ano e os rumores foram de que a marca deixaria os jogos de tiro primeira pessoa (FPS). Mas não demorou muito e o time dinamarquês de League of Legends Origen foi o escolhido pelos alemães para estampar a marca das quatro argolas. 

A Honda, desde janeiro de 2019, é parceira da Team Liquid em eventos de Hearthstone e Dota2. Também do Japão, a Subaru deu nome ao Invitational de 2017 de Counter Strike, que contou com equipes como Cloud9, Luminosity, SK Gaming e Team Liquid. No Overwatch, a Toyota apoiou a liga em 2018. A BMW também aparece em destaque nos uniformes da paiN Gaming no Brasil. Mas por que esse movimento?

Não é difícil explicar. Com a queda de audiência da televisão e a maior popularidade das redes sociais, ficou mais difícil atingir o público de até 30 anos. Os eventos de Esports são assistidos em todo o mundo 24 horas por dia, em qualquer lugar com uma conexão de internet razoável.

Grandes marcas estampam uniformes da paiN (Divulgação)

Mercado de bilhões

As grandes marcas não abandonaram totalmente o futebol. Entretanto, para se ter uma ideia, a Copa de 2014 no Brasil rendeu à Fifa US$ 1,63 bilhão em patrocínios, o maior valor de todas as edições, mas, na edição seguinte, houve um recuo de 18% no faturamento. O basquete, a Fórmula 1 e outras modalidades continuam com grande visibilidade, mas esses espaços se tornaram caros demais para o retorno esperado do investimento. Anunciar no Super Bowl durante 30 segundos, por exemplo, custa US$ 5 milhões.

Em 2019, o público das modalidades chegou a 20 milhões e cresceu impressionantes 20% em relação ao ano anterior. Não é à toa. As organizações estão cada vez mais profissionais e o investimento aumenta a cada ano.

Ou seja, o mercado de Esports está em franco crescimento e ainda é uma ótima saída para as marcas aparecerem bastante gastando menos. A Mastercard acredita que um dos motivos para o crescimento de reconhecimento de marca foi a presença no cenário competitivo de League of Legends. No ranking Interbrand de 2019, que mede o alcance e valor das marcas, a multinacional de cartões de crédito avançou 25% e ficou em 62º lugar – melhorou oito posições em relação a 2018.

De acordo com a Forbes, as 10 marcas mais fortes dos Esports valem, juntas, mais de US$ 11 bilhões. Um dos motivos que colocaram a FaZe Clan – apenas o quarto lugar da lista -, com preço estimado de mercado em US$ 240 milhões foram os mais de 19 milhões de seguidores nas redes sociais, muito mais do que equipes da NFL e da NBA.

FaZe Clan já fez grandes (e lucrativas) parcerias (Divulgação)

Janela de oportunidades

Acabou a crença de que apenas fabricantes de processadores, placas de vídeo e mouses poderiam estampar uniformes e dar nomes a competições de esports. Os empresários que quiserem amplificar exposição de suas marcas devem, sim, investir nos esportes eletrônicos. E, o melhor, serem vistos por um público que dificilmente seria alcançado nos canais convencionais de propaganda.

Quem não acompanhar esse movimento pode ser engolido pela concorrência.