Orgs de CS que morreram após o último Major

Entre titãs e promessas, seis orgs largaram o FPS da Valve desde Berlim

O mundo era outro em setembro de 2019, quando o último Major de CS:GO foi disputado presencialmente em Berlim, capital da Alemanha. Não havia pandemia, para começar, e esperava-se que o FPS fosse crescer exponencialmente após o evento.

Além disso, vários talentos como Mathieu “ZywOo” , da Team Vitality, puderam se provar pela primeira vez no palco mais importante do Counter-Strike global.

Mas o tempo passou e, com a covid-19, várias organizações sofreram um duro baque financeiro. Outras cansaram de resultados ruins e pararam de dar murro em ponta de faca. Veja quais participantes daquele Major deixaram o CS, ao que parece, para sempre:

Foto: Reprodução

AVANGAR

A organização do Cazaquistão (alô, Borat!) não apenas participou do último Starladder Major, em Berlim, como foi finalista, perdendo o troféu para a Astralis. 

Criada em 2017, ela se projetou como uma das principais forças da região CIS nos dois anos seguintes, conquistando títulos importantes como a DreamHack Open do Rio de Janeiro, em 2019, e a etapa de Moscou, na Rússia, da antiga BLAST Pro Series, no mesmo ano.

O sucesso da line liderada pelo AWPer Dzhami “Jame”, contudo, atraiu a cobiça de outras orgs mais endinheiradas e, em dezembro de 2019, a tradicional Virtus.pro comprou o time.

A AVANGAR ainda tentou se manter no cenário com uma line formada por promessas do CS:GO cazaque, mas a pandemia do novo coronavírus foi a pá de cal nos planos de ressurgimento e a org encerrou as atividades em abril de 2020.

Foto: Reprodução


Hellraisers

Organização ucraniana que atuava no Counter-Strike desde 2014, a HellRaisers costumava ser uma figurinha carimbada em grandes torneios do passado como representante da região CIS. A divisão de CS:GO foi desmanchada em abril de 2021.

A equipe foi uma das boas surpresas do FACEIT Major de Londres, em 2018, tendo chegado aos playoffs do torneio e terminado entre as oito melhores equipes do mundo. Isso depois de ter feito um Minor quase perfeito, vencendo a competição classificatória e deixando para trás times como Spirit, AVANGAR e forZe.

O desempenho em seguida, contudo, decaiu e as trocas na line-up não surtiram efeito. O primeiro disband veio em setembro de 2019, após uma participação pífia no Starladder Major de Berlim.

Houve uma tentativa de retorno, com uma line revigorada de jovens promessas, mas, eventualmente, a HellRaisers desmanchou a divisão de CS:GO em abril de 2021, sem previsão de retorno.

Foto: Reprodução

NRG Esports


 A NRG Esports ingressou no CS:GO no começo de 2016 e, após alguns tropeços e dificuldade de se firmar no cenário da América do Norte, se consolidou como uma das principais forças da região em 2018. 

Apesar de nunca ter conquistado títulos de grande relevância, apresentou um CS de alto nível, especialmente em 2019, quando foi semifinalista do Starladder Major de Berlim.

Em setembro de 2019, a NRG vendeu o bom time de Tarik “tarik” e Tsvetelin “CeRq” para a Evil Geniuses e anunciou a saída do CS:GO, ao que tudo indica, em definitivo.

Em um fórum do Reddit, o CEO da org, Andy Miller, alegou que o modelo do cenário competitivo do FPS da Valve era insustentável e revelou que gastava U$ 2 milhões por ano com o time.   

Foto: Reprodução

CR4ZY


A CR4ZY foi um dos times mais legais de se assistir no último Starladder Major, em Berlim, e ficou a um mapa de ir aos playoffs. O ano de 2019, aliás, foi muito bom para a org, que mudou de nome — antes se chamava Valiance — e venceu o DreamHack Open de Roterdam, na Holanda, sobre a Heroic.

Assim como aconteceu com a AVANGAR, porém, o sucesso do time atraiu a cobiça de outra organização e, em janeiro de 2020, a line comandada por Luka “emi” foi vendida à c0ntact, encerrando um capítulo que começou a ser escrito em 2017. 

A CR4ZY ainda tentou se manter ao assinar com o squad ucraniano que antes defendeu a Project X, mas a pandemia cobrou seu preço e, após resultados pouco expressivos, a org deixou o CS:GO em setembro de 2020.

Foto: Divulgação

North


A North é certamente a organização mais relevante a ter sumido desde o último Major. Campeã da DreamHack Masters de Estocolmo, na Suécia, em 2018, sobre a toda poderosa Astralis, a org dinamarquesa já havia sido vice-campeã da Pro League 5, no ano anterior, e semifinalista da DH Masters de Las Vegas, alguns meses antes.

A camisa pesada e a experiência não impediram que a org tivesse um 2019 agridoce, com alguns títulos convincentes, como o GG.bet Ice sobre a Na’Vi, mas várias performances ruins.

Essa instabilidade levou a não apenas uma mudança da line como até a um rebranding polêmico do icônico Leão do Norte que compunha o escudo da org, ao fim do ano. Em fevereiro de 2021, ela parou de tentar e cessou as operações no CS:GO. 

DE ainda mudou logo antes da despedida (Foto: Divulgação)

DreamEaters 

Org mais modesta da lista e que, até a participação no Starladder Major de Berlim, em 2019, não tinha muita relevância no cenário internacional. No ano da competição, porém, se destacaram no Minor do CIS e garantiram vaga no torneio da Valve ao vencer os brazucas da INTZ no Play-In.

No Major, foram, sem pestanejar, a maior surpresa da primeira fase, o New Challengers Stage. Não apenas venceram a NRG e a Vitality de Mathieu “ZywOo” como avançaram para o palco principal após eliminar a favorita forZe.

Após tanto sucesso, porém, o capitão do time, Svyatoslav “svyat”, denunciou que a DreamEaters havia atrasado vários pagamentos e a line deixou a org de forma pouco amistosa, assinando com a Hard Legion Esports em seguida.

A DreamEaters até tentou se recompor com novos talentos em outubro de 2019, mas após poucos resultados contuntes, desmanchou a divisáo de CS:GO em maio de 2020, sem previsão de retorno.