Não há garantia para Major acontecer em novembro

Nova data do evento pressupõe que restrições para conter a pandemia já tenham acabado

Ninguém deve ficar surpreso se o Major do Rio de Janeiro de CS:GO, atrasado para novembro de 2020, for simplesmente cancelado. A pandemia do novo coronavírus impõe desafios diários às autoridades globais de Saúde e, principalmente, aos governos estaduais e regionais de cada país. Não há prazo para a covid-19 ser controlada, apenas previsões para que o número de infectados diminua.

Existem projetos para criação de vacinas em países como os EUA e Israel, mas por mais promissores que testes preliminares em roedores tenham sido, o ciclo de produção de uma imunização costuma levar cerca de um ano, isso quando é veloz. Se não houver como garantir até o fim de 2020 que eventos como o Major, com potencial para reunir 20 mil pessoas em um espaço fechado, estejam livres de disseminação do coronavírus, como autorizar a realização?

O vírus se espalhou a uma velocidade absurda pelo mundo. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o planeta já registra mais de 1 milhão de infectados em cerca de quatro meses de proliferação do microorganismo. E esse número aumenta dia a dia. O ministro da Saúde brasileiro, Luiz Mandetta, já informou que as previsões apontam pico de casos em abril e crescimento de infecções até junho. Não é irreal que em novembro, cinco meses depois, o País ainda enfrente um momento delicado.

Arena vazia pode ser uma realidade (Divulgação/ESL)

Efeito cascata

O biólogo Átila Iamarino, conhecido por seu canal no Youtube chamado Nerdologia, afirmou, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, e em uma entrevista à Folha de S. Paulo, que a sociedade global pode alternar períodos de quarentena e de abertura pelos próximos dois anos. Mesmo quando não houver restrições duras, isso não significa que nesse período as aglomerações serão seguras.

Cito o exemplo do Major de CS:GO, mas o mesmo vale para a Pro League de Rainbow Six, que também aconteceria no Brasil e foi adiada, e diversos outros eventos pelo mundo. O major de Dota 2, que aconteceria em Los Angeles, por exemplo, foi adiado e recentemente realizou uma etapa online em cada região.

Oss EUA enfrentam a realidade de serem o epicentro da covid-19 no mundo. Em qual cenário razoável alguém pode afirmar com certeza que a Terra do Tio Sam vai retomar eventos com algomeração ainda em 2020? Isso vale para diversos eventos esportivos em outros países.

Vírus impõe desafios diários pelo mundo (Reprodução)

A solução

A BLAST Premier e a Pro League de CS:GO anunciaram etapas online regionais este ano para se adaptar à realidade de distanciamento social e restrições a viagens. Talvez seja esse o caminho para o Major, criar competições em cada continente, disputadas remotamente e sem público presencial.

É possível ainda que, caso a situação não esteja tão grave no fim de 2020 e pelos menos as viagens estejam liberadas, os times possam jogar em LAN, também sem público, como foi o IEM Katowice, na Polônia, nas etapas de playoffs, em fevereiro.

Não existe intenção de ser alarmista, mas o novo coronavírus surpreendeu o mundo inteiro e pode continuar a representar desafios com o passar dos meses. Cientistas passaram a estudar, na última semana, a possibilidade do microorganismo ser carregado pelo ar, algo novo até então. E mais pode ser desvendado. Até hoje, por exemplo, não há conclusão se alguém infectado está realmente imune após a cura. Houve registros de reincidência.

A Coreia do Sul controlou a epidemia, a China conseguiu controlar o contágio, para citar casos positivos. Nenhum deles, contudo, está seguro de imediatamente retomar atividades. O momento é de ter esperança, mas não é saudável se iludir.