Má fase da MIBR passa bastante pelo draft ruim

Picks da equipe mudaram bastante em apenas um ano e revelaram necessidade de planejamento

Em três meses de competições de 2020, a MIBR chegou ao terceiro map pool diferente. A dificuldade do time de estabelecer um punhado de bons mapas e atrapalhar a vida do oponente no momento do draft é razão e ao mesmo tempo consequência da má fase enfrentada desde o ano passado. Atualmente, Mirage e Overpass são as principais escolhas, com Dust2 de refugo para terceiro mapa.

No início de 2020, quando foi preterida do IEM Katowice pela primeira vez em quatro anos e teve de disputar o qualificatório fechado, as estratégias de picks e bans seguiam o que foi visto no fim de 2019, com algumas variações. Vertigo e Train eram escolhas prioritárias, mas surgiu um pick de Inferno, na final do Lower Bracket diante da Complexity, que esboçou algo novo. Não foi para frente.

Na competição seguinte, a BLAST Premier, esse map pool se provou insuficiente contra equipes muito mais fortes. Os resultados foram duas derrotas incontestáveis para Liquid e Ninjas in Pyjamas, com a mesma trinca de Vertigo, Train e Inferno se mostrando pobre, para dizer o mínimo.

Mudança de rumo

Na DreamHack Anaheim, em que a MIBR era o principal seed do torneio e favorita, ao menos, para passar aos playoffs, surgiram apostas em uma Dust2 na md1 diante da Complexity, na estreia, e um bizarro pick de Nuke na md3 decisiva diante da mesma Complexity, na última série da fase de grupos. Resultado: duas derrotas acachapantes.

Se houve o lado positivo de a equipe de Gabriel “FalleN” e cia estar no caminho de testar novas possibilidades e largar o instaban em Nuke, houve também uma certa falta de planejamento de não ter nenhuma opção mais segura para contra-atacar adversários que banem Train e Vertigo.

A FLASHPOINT tem se mostrado um ótimo terreno de testes e, apesar da derrota inesperada para a Chaos na estreia do grupo B, ainda pela primeira fase, esse momento virou um catalisador para o time. Depois do confronto, Wilton “zews” deixou de ser coach e Overpass se tornou o principal pick da MIBR, com Mirage e Dust2 reaparecendo nos mapas jogáveis após terem sido insistentemente banidos em janeiro e fevereiro.

O revés para a Liquid na Pro League das Américas, em 26 de março, foi um duro golpe nas pretensões brasileiras, especialmente por terem sido massacrados em Overpass e Dust2, escolhas importantes no estilo de jogo atual. Mas em vez de mudar tudo para o compromisso seguinte, a MIBR manteve as convicções diante da Orgless, pela FLASHPOINT, e deu certo.

Seguir em frente

O único caminho para os bicampeões do Major retomarem o caminho de vitórias, ou pelo menos melhorarem sua consistência no jogo, é fortalecer o map pool atual e gerar temor nos adversários em pelo menos dois mapas. Mirage, que a MIBR usou como instaban em fevereiro, é a escolha com maior percentual de vitórias no ano (71,4%) e tem grande potencial, especialmente por Epitácio “TACO” ser um monstro em controle do bomb B.

As mudanças recentes na comissão técnica e as alterações nos picks e bans indicam um futuro bem melhor do que o presente. É preciso, contudo, que haja convicção, mesmo diante dos fracassos, e que haja, acima de tudo, disciplina nessa jornada.