Guia: Como escolher um PC gamer

Saiba como montar setup para rodar jogos no máximo ou só garantir a jogatina casual

Não existe prazer maior do que melhorar suas skills, subir de nível e ganhar cada vez mais partidas online. Mas para começar a fazer isso é preciso ficar atento ao seu setup. Um bom computador pode dar um up no seu jogo e melhorar sua experiência. É por isso que vamos te mostrar como escolher um PC gamer. Nesse post você vai aprender um pouco mais sobre o que deve ser observado na hora de comprar o hardware.

O que eu quero jogar?

Essa é uma das perguntas mais importantes. Se você só fica no CS:GO e League of Legends, um setup de entrada certamente vai te atender. Jogos como esses exigem menos das máquinas e, portanto, não será necessário gastar tanto assim com componentes internos. De qualquer forma, é importante ficar atento aos periféricos, que vão fazer toda diferença (falaremos sobre assunto mais abaixo).

Entretanto, se você gosta de extrair o máximo do seu equipamento e joga títulos mais pesados, é bom preparar o bolso. Para rodar Deus Ex: Mankind Divided, Project Cars, Assassin’s Creed Syndicate, Crysis 3, Tom Clancy’s Ghost Recon Wildlands, Watch Dogs, Battlefield 1 e Rise of The Tomb Raider, por exemplo, será necessário um equipamento mais caro, principalmente caso queira os gráficos no ultra.

Grandes jogos demandam grandes setups (Reprodução)

A escolha do seu PC vai ser diretamente influenciada pelos jogos que você quer ter. É importante pesquisar bastante sobre os requisitos mínimos exigidos para cada um dos títulos que te interessam. Não adianta também ter um equipamento mediano e um monitor 4K, mas abordaremos esse tópico quando falarmos de monitores.

Novo ou usado?

É possível sair satisfeito fazendo os dois tipos de compra. O novo é sempre uma escolha mais segura, especialmente se a loja for confiável. Cheque sites como Reclame Aqui para saber se existem práticas inadequadas e se realmente cumprem o que prometem. No Mercado Livre há muitas opções mais em conta, porém existem vendedores que trazem mercadorias importadas e sem garantia. É fundamental pensar nos percalços possíveis para não ficar frustrado depois.

Se a intenção for gastar pouco, um usado pode ser a melhor solução, já que, ao saírem da loja, os produtos desvalorizam bastante. No entanto, é preciso ficar atento à garantia (olha ela aqui de novo), ao estado de conservação e à procedência. Lembre-se que comprar mercadorias roubadas também é crime e uma hora pode acontecer o mesmo com você. Peça nota fiscal e faça o máximo de perguntas (onde comprou, há quanto tempo está com a máquina, onde mora, etc).

Perfis especializados em redes sociais ou canais de mídia voltados só para o assunto também ajudam na hora de fazer escolhas e consultar as melhores opções (veja abaixo):

Quanto custa um PC gamer?

Você pode encontrar computadores mais antigos, que sejam capazes de rodar uma quantidade razoável de jogos por até R$ 1,5 mil, usados, é claro. Setups novos de entrada costumam ter preços a partir de R$ 2 mil. Estamos falando apenas do gabinete completo, sem periféricos e monitor.

O céu é o limite. Um setup completo pode chegar perto dos R$ 20 mil, se forem incluídos multi-monitores e mais de uma placa de vídeo, em SLI ou Crossfire. Vai dizer que você não sonha em não se preocupar se aquele jogo novo vai rodar?

Mas, obviamente, é possível se divertir gastando bem menos do que isso. Existem opções intermediárias que reproduzem jogos com bom desempenho custando em torno de R$ 3 mil. 

Comprar separado ou tudo de uma vez?

Varia de acordo com o nível de experiência do comprador. Caso você tenha mais familiaridade com a montagem dos componentes ou então é corajoso o suficiente para aprender na prática, vendo tutoriais no Youtube e assumindo os riscos, comprar as peças separadas pode ser bom. É possível pesquisar os preços separadamente em sites como o Craft my Box, que te dá estimativas e mostra onde comprar mais barato. Com paciência, é possível achar boas ofertas e ir comprando aos poucos.

Para um resultado imediato, pode ser positivo encontrar um bom preço num PC gamer completo. Assim, você receberá tudo montado e configurado e lidará com apenas uma empresa. Em alguns casos, os valores são menores para comprar tudo de uma vez, ainda mais se você encontrar uma boa promoção.

Agora vamos à parte técnica. Destrincharemos todas as peças de um computador para que você saiba como escolher o melhor setup gamer, aquele que vai te atender da melhor maneira possível.

Processador

O processador é responsável por transformar os dados em informação para o usuário. Muita gente pensa que para games só a placa de vídeo conta, mas não é bem assim. Uma GPU top de linha não vai render tudo que pode se o CPU não for adequado. É o que se chama de gargalo. Para que você escolha a melhor opção, é essencial saber em quais especificações é preciso prestar atenção. 

Frequência

É uma das principais informações a serem avaliadas. É medida em gigahertz (GHz) e determina a capacidade de processar informações ao mesmo tempo.

Cores

Pronuncia-se ‘córes’. São os núcleos do processador. Até 2006, os CPUs possuíam apenas um núcleo, mas o advento dos dual, quad e octa cores trouxe melhor desempenho aos computadores. 

Cache

É uma espécie de memória própria que os processadores têm para armazenar dados que são utilizados com frequência. Quanto mais memória cache houver, mais rapidez na execução de tarefas.

Placa-mãe

Trata-se da peça que reúne e conecta todos os componentes de um computador. E, por isso, deve ser compatível com processador, placa de vídeo e HD que você escolher. Existem modelos específicos para Intel e AMD, além de diferenças de compatibilidade entre gerações desses processadores. Os slots de memória RAM também devem ter a mesma especificação. Um fator importante é a quantidade de saídas USB e se são 3.0 (as azuis, que são mais rápidas).

Placa de vídeo

Escolher uma placa de vídeo é uma arte. É preciso saber da sua necessidade e quanto você está disposto a gastar. Existe uma variedade muito grande de modelos, fabricantes e especificações, mas todos podem possuir um dos chipsets: nVidia Geforce ou AMD Radeon.

Uma placa de vídeo tem processador e memória, assim como um computador, mas ambos são destinados ao tratamento das imagens. Então a velocidade em hertz e a quantidade de memória em GB são dois bons indicadores da potência de uma GPU. Outra medida a ser observada é a quantidade bits, que influencia no deslocamento da informação dentro da placa.

Um bom PC Gamer também pode ser bem estiloso (Reprodução)

Se a sua intenção for jogar com os gráficos no Ultra, é melhor estar preparado para gastar com placas high end, que podem passar dos R$ 5 mil. Mas não se preocupe, já que é possível gastar muito menos e conseguir jogar, mas não espere a mesma capacidade gráfica. Mais uma vez, tudo depende do seu orçamento.

Alguns modelos de meio e topo de gama que aceitam o uso de duas GPUs, é o que chamamos de SLI no caso da nVidia e Crossfire para quem tem AMD Radeon. Mas não pense que o desempenho vai aumentar 50%, apesar de haver uma melhora considerável. Além de pesquisar bastante sobre os preços, é necessário descobrir se há espaço no seu gabinete para isso.

Memória RAM

Em inglês, Random Access Memory (Memórias de Acesso Aleatório). É o componente que armazena dados em execução no computador. Os programas abertos vão consumir memória RAM e a capacidade que elas possuem vai determinar o desempenho.

O padrão mais moderno atualmente é o DDR4 e é por isso que você deve ficar atento à compatibilidade com a placa mãe, que já citamos antes. O limite de RAM que é possível ter é delimitado pela mesma placa mãe e pelo processador. Existem placas que aceitam 64gb, o que é realmente muita coisa, dado que boa parte dos jogos modernos podem ser reproduzidos com 8 e 16gb.

Bastante memória permite jogar melhor e também que seu PC rode mais liso (Reprodução)

Armazenamento

O tempo dos Hard Drive Disks (HDs) parece ter passado, mas pode ser útil que você possua um desses no seu gabinete. Atualmente existem SSDs (Solid State Drive), que são memórias similares às flash, usadas em pendrives. Essa tecnologia proporciona abertura de arquivos até quatro vezes mais rápida. Com um SSD você poderá ligar o computador – se o sistema operacional estiver instalado nele – em muito menos tempo e os programas serão carregados com mais velocidade. 

No entanto, a diferença de preço das duas tecnologias pode te forçar a ter um pouco das duas. É possível combinar o uso e diminuir custos. Você pode ter um SSD de 120gb, geralmente a menor capacidade disponível, e um HD de 1TB para guardar arquivos. Se o dinheiro não for problema, por que não comprar logo um SSD de 1TB?

Monitor

Há muitos aspectos a serem observados em um monitor. Talvez o principal deles seja a resolução máxima. É importante optar por unidades a partir de Full HD (1920×1080), mas é possível chegar a 4K, assim como nas TVs.

Está na moda há alguns anos falar sobre a taxa de atualização e comparar monitores de 60hz e 144hz ou acima disso. Trata-se da capacidade que o visor tem de renovar a imagem e a velocidade em que um quadro totalmente novo será mostrado. Para cyber atletas é uma medida de alta importância, mas existem jogadores amadores que sequer conseguem perceber a diferença. Caso você seja iniciante, talvez não valha a pena investir um monitor de 144hz.

Um quesito importante a ser analisado é o tempo de resposta, medido em milissegundos. Quanto mais baixo, melhor. Monitores com 1ms tendem a não deixar borrões durante a mudança brusca de quadros, o que torna a imagem mais bonita e precisa.

Boa imagem muda o sentimento sobre um jogo (Reprodução)

Existem tecnologias como a g-Sync e FreeSync, oferecidas por Nvidia e AMD, respectivamente, e inicialmente só funcionavam quando combinados com placas dessas fabricantes. São formas de sincronizar as imagens e evitar que as figuras fiquem desalinhadas mesmo que por pequenos espaços de tempo (o que é bastante perceptível em muitos casos).

Infelizmente, monitores com g-Sync se mostraram muito caros, mas recentemente a Nvidia adotou a Adaptive Sync, um padrão internacional similar, o que fez as placas Geforce serem compatíveis com a tecnologia FreeSync nos monitores. Bastou atualizar o driver.

É possível combinar multimonitores para uma imagem maior, mas para isso é obrigatório saber se sua placa de vídeo terá saídas suficientes ou se será necessário usar adaptadores. Um dos incômodos de usar mais de um vídeo é a divisão entre os dois, que pode incomodar alguns usuários.

No mercado há monitores ultrawide, que possuem resoluções mais amplas do que o tradicional widescreen. Além de serem bons para uso multitarefa, podem oferecer um campo de visão maior em jogos. O inconveniente são as tarjas pretas que podem ser mostradas caso filmes e games não sejam compatíveis com a resolução 21:9.

Gabinete

É a “caixa” que vai reunir todos os componentes internos. Existem os padrões ATX, EATX, micro-ATX e mini-ITX de placa mãe. Logo você precisará de um gabinete que caiba tudo, então é preciso checar a compatibilidade.

Não se esqueça também que a refrigeração é importante (estamos chegando lá), mas direcionar o fluxo de ar também faz muita diferença. Sugar ar frio para dentro do gabinete e o ar quente para fora vai trazer uma temperatura interna mais baixa. Existem tutoriais que pode te ajudar nisso.

Gabinetes estilosos dão um outro ar ao seu setup (Divulgação/Multilaser)

Refrigeração

Processadores e gabinetes vêm com fans (ventiladores) que podem ajudar bastante, mas às vezes não é suficiente. Para usuários avançados, que têm a intenção de fazer overclock, será necessário investir em mais capacidade de refrigeração.

Nesse caso é possível aumentar a quantidade de fans, instalar cooler box e water coolers. Os últimos, mais caros e complexos, serão mais eficientes, mas antes de fazer esse investimento é preciso saber se existe mesmo a necessidade.

De qualquer forma, um setup funcionando em baixas temperaturas pode garantir maior durabilidade das peças e melhor desempenho.

Fonte

Agora está faltando “só” a energia. Você não achou que era só ligar na tomada que ia funcionar né? Para escolher uma boa fonte é preciso levar em conta as peças que você terá dentro do computador. Afinal, quanto mais potente ele for, mais watts serão necessários. Sorte que existe uma ferramenta para calcular o quanto você precisa. 

Mouse, teclado e outros

Com um PC Gamer montado, é hora de pensar em periféricos como mouse, teclado e headset. Lembre que de nada adianta o visual, as luzes e os controladores RGB se a qualidade não for boa.

Para mouses, observe a quantidade de botões adequada ao seu uso. Enquanto jogos FPS exigem poucos, os MOBAs e RPG podem ser melhor jogados com uma variedade maior de botões. Fique atento com a sensibilidade, que é calculada em DPI, dots per inch (pontos por polegada, em português). Dispositivos básicos possuem entre 400 e 1.000 DPI. Enquanto os mais completos chegam até 10.000 DPI.

O teclado é fundamental para uma boa jogatina (Reprodução)

Mas será que você realmente precisa dessa potência toda? Provavelmente não. O ideal é testar modelos confortáveis e saber se te atendem. Assim, você pode subir gradualmente até encontrar o que te deixe satisfeito.

Quando falamos de teclados, existem duas principais opções: de membrana, amplamente utilizados, e os mecânicos, que foram adotados nos últimos anos por jogadores que visam desempenho. Ao primeiro toque, os mecânicos são mais pesados e barulhentos, mas são tidos como mais precisos e duráveis. 

Pense bem se você se precisará e se adaptará a um modelo mecânico, uma vez que adquirir um desse é consideravelmente mais caro que um de membrana.