Famoso jornalista britânico ataca Gaules e critica mídia brasileira

Richard Lewis responsabiliza influenciador e imprensa pelas ameaças a jogadores da Chaos

Eleito duas vezes Jornalista do Ano pela premiação internacional Esports Awards, o britânico Richard Lewis (foto em destaque) criticou o streamer Alexandre “Gaules” pela postura que o paulista teve após as supostas trapaças de jogadores da Chaos em partida diante da MIBR, pela cs_summit, em junho. Em um artigo opinativo intitulado “As ações de Gaules levam ao assédio e precisam parar”, em tradução livre do inglês, o repórter ainda atacou a imprensa brasileira pela cobertura do assunto e afirmou que as reações de jogadores e influenciadores nacionais foram diretamente responsáveis pelas ameaças de morte e linchamento virtual dos pro players da organização norte-americana.

“Ter de falar sobre isso de novo me coloca em um estado de espírito sem palavras…É uma mistura de tédio, depressão e raiva. Algumas pessoas em redes sociais até tentaram criar uma narrativa que ninguém falou sobre jovens jogadores sendo acusados de trapacear antes e que isso tudo é uma grande desculpa para ir atrás dos brasileiros por causa de algum tipo de preconceito que todos temos”, ironizou em sua matéria.

Ponto a ponto, Lewis relembrou outras vezes em que Gaules usou sua fama para prejudicar outras pessoas, como quando sobrecarregou de acessos um site recém criado pelo ex-MIBR Tarik “tarik” e foi xingado por Fernando “fer” devido a isso. O jornalista também alegou que um tweet feito pelo influenciador com a imagem da equipe de transmissão rasgando a logo da FURIA, após a eliminação dos Panteras no Major de Berlim, em 2019, levou a ataques à esposa e até à filha recém-nascida do comentarista e ex-pro player Sean Gares.

Sem desculpa

Minutos após a publicação da matéria, Gaules publicou uma retratação em português e inglês pedindo “menos hate, mais amor e muita boas partidas de CS:GO”. O streamer defendeu que ao analisar as supostas trapaças dos jogadores da Chaos, em especial de Nathan “leaf”, novato de apenas 16 anos, “a intenção era fazer a análise sobre uma partida, mesmo reforçando várias vezes que nem a org, nem o jogador deveriam ser cobrados”. Ele ainda lamentou que alguns tenham ido às redes “falar coisas que jamais podem ser ditas”.

Mesmo o pedido público de desculpas não apaziguou o sentimento de Lewis sobre o assunto. Ele retornou ao Twitter, rede social em que é mais ativo, para dizer que “em nenhum lugar Gaules se desculpa por acusar o jogador de trapacear durante uma transmissão. Ele critica aqueles que fizeram ameaças mas não o que ele próprio fez e que levou a elas.”

Como era de se esperar, o assunto gerou mais burburinho e alguns brasileiros responderam. Dentre eles, o editor de Esports da ESPN Brasil, Rodrigo Guerra, que disse concordar com o texto de Lewis em algumas colocações, mas apontou a possibilidade de a redação aumentar a polarização entre as comunidades brasileira e norte-americana e até conter traços de xenofobia. Um dos pontos endereçados pelo brasileiro foi que Lewis interpretou o grito de guerra “Uh, vai morrer”, popularizado durante partidas de MMA no Brasil e levado ao ESL One: Belo Horizonte, em 2018, como algo mais grave do que realmente é. Guerra comparou o grito ao Haka, muito usado na Nova Zelândia, e isso reacendeu a fúria de Lewis, que debochou.

“De toda a besteira que li nas últimas 24 horas, talvez a mais ridícula tenha sido do jornalista brasileiro da ESPN dizendo que o público gritando “vai morrer” e cuspindo em jogadores é o mesmo que o Haka pré-jogo da Nova Zelândia”, tuitou.

Block geral

A partir daí, houve trocas de ofensas entre brasileiros e norte-americanos e, conforme Lewis mostrou posteriormente, ele recebeu ameaças e xingamentos de perfis fakes, o que ele atribuiu a fãs brasileiros. O próprio Guerra desistiu de argumentar e disse posteriormente estar desapontado com a intransigência do britânico, enquanto outras figuras proeminentes do cenário de Esports brasileiro, como o caster Bernardo “Bida” e o colunista João Messina, afirmaram terem sido bloqueados por Lewis sem motivo aparente.

O jornalista britânico apagou o tweet em que ele divulgou seu texto sobre Gaules, provavelmente devido à enorme quantidade de mensagens, e voltou a publicar sobre os assuntos que ele normalmente comenta, colocando aqui e ali algum comentário sobre ele ser xenófobo e dizendo ser ridículo. Como ele gosta de ironizar, deixou os brasileiros em “full caralho mode.”