Extinção da Pro League de R6 gera polêmica e ataques de pro players; Entenda

Equipes e jogadores passam por momento de incerteza no cenário competitivo

Por Álvaro Damião

A Pro League norte-americana acabou na última segunda feira (13), e, desde então, começou um momento muito agitado no cenário de Rainbow Six Siege na região. Pro Players xingaram executivos de Esports do R6, fãs se revoltaram com a Ubisoft e pelo menos três grandes orgs abandonaram o cenário. Afinal, o que houve?

Tudo começou quando a Ubisoft apresentou o novo painel do sistema competitivo do jogo em fevereiro, durante o Six Invitational 2020. Todas as orgs e jogadores ficaram sabendo, em meio à disputa do principal torneio do ano, sobre uma mudança brusca na estrutura do cenário e que, na teoria, ninguém teria vaga assegurada na próxima temporada.

Foi criada uma nova estrutura nos campeonatos de todas as regiões, excluindo as Pro Leagues regionais e dividindo o ano em três Majors. Isso se deu pelo término do contrato entre a Ubisoft e ESL, que tinha exclusividade na criação e manutenção de campeonatos oficiais. Assim, as regiões passaram a ter liberdade para distribuir suas vagas para as diferentes competições.

A polêmica, contudo, se concentrou na região norte americana, aparentemente, pela forma com que a Ubisoft lidou com as orgs e o campeonato nacional.

Ubisoft vs. jogadores

Nessa terça (14/04/2020), o ex-jogador da Luminosity Gaming, Kian “Hyena, postou em seu perfil no twitter uma nota em que o mesmo culpava a Ubisoft de não colaborar com a manutenção da equipe na elite, citando diversos fatores, dentre eles falta de clareza nas decisões.

A Luminosity se afastou do campeonato oficial dos Estados Unidos juntamente com outras duas organizações: Evil Geniuses e Team Reciprocity, ambas também insatisfeitas com as mudanças no cenário, como deixaram claro em manifestações nas redes sociais.

Em comunicado, a Ubisoft afirmou que equipes novas serão convidadas para o novo formato do competitivo e terão liberdade de contratar os jogadores que quiserem. Isso significa que os atletas responsáveis pelas vagas na antiga Pro League não estão assegurados nos novos torneios, o que gerou incerteza e revolta.

Segundo Hyena, a manifestação da Ubisoft veio há três semanas, mas não foi bem recebida. Ele contou que ainda houve uma tentativa de reverter esta situação na base do diálogo com funcionários do alto escalão da empresa, sem sucesso.

Nesse meio tempo, a equipe treinou normalmente aguardando uma posição das empresas. A line que representava a Luminosity tinha sido anunciada em junho de 2019, e desde então contou com alguns bons resultados. “Claro que ter ficado em sexto essa temporada da Pro League não foi o ideal, mas devido à incerteza sobre o que aconteceria no segundo split, até que fomos bem”, disse o jogador em nota.

Em seu antigo formato, o sétimo e oitavo colocado da competição disputavam uma chance de se manter com equipes que vinham da divisão inferior, enquanto do sexto para cima havia a segurança de se manter na elite.

Outro jogador que veio a público sobre a situação e criticou o trabalho da Ubisoft foi Nathan “nvK”, ex-jogador da Evil Geniuses. Ele foi mais direto e incisivo ao tratar da situação e comentou, em nota, que a única culpada pela situação era a própria desenvolvedora do Rainbow Six.

“Tivemos conversas com várias organizações, e parece que muitas não querem nada com o R6 e com a forma com que a Ubi vem tratando as coisas. Por cinco anos, dia após dia, fizemos vários sacrifícios, para, no final, termos nosso lugar roubado, sem a chance competir por ele”, desabafou.

nvK foi um dos jogadores a se manifestar (Divulgação/EG)

Brasil afastado da briga

A região da América Latina (LATAM), hoje composta em sua totalidade por equipes brasileiras, se dividirá em: Brasil, México e América Latina. A região norte americana será repartida em Estados Unidos e Canadá, enquanto a região europeia contará com um torneio englobando dez equipes.

No Brasil, essa reestruturação causou uma pequena mudança, mas nada tão alarmante quanto na região norte americana. O campeonato brasileiro que garantirá vaga no Major será o Brasileirão de Rainbow Six Siege (BR6), agora com 10 equipes e torneio presencial.

Brasileirão substituirá a Pro League (Arte/Reprodução)

Dessa forma, a única prejudicada no momento é a equipe da Singularity, que contratou o antigo time da Elevate e disputou a última Pro League. A line não se classificou para o BR6 e tem futuro incerto. Diferentemente da Pro League, o Brasileirão terá as presenças de FURIA e da N/A Org, que conta com alguns nomes famosos no cenário local, como Dimas “Panico” e Felipe “Abreu”.

Essas mudanças darão ao competitivo de Rainbow Six uma nova cara, porém resta saber se isso será positivo ou não para o desenvolvimento da comunidade. Respostas como essa, só o tempo nos dirá, e quando disser, você encontra aqui na Rush Arena.