DH Rio: evento frustrante escondeu um bom torneio

Problemas na organização apagaram da memória bons jogos e momentos importantes

Há exato um ano, em 21/04/2019, a DreamHack Open do Rio de Janeiro se encerrava com uma dupla frustração: a FURIA saiu derrotada na decisão contra os cazaques da AVANGAR e a organização do evento, em si, foi um retumbante fracasso.

O desastre na execução do que deveria ser um prato cheio para os fãs de Esports mascarou uma competição bastante interessante de CS:GO. Primeiramente, até hoje é único evento internacional na história do competitivo a ter reunido cinco equipes formadas inteiramente por brasileiros, à exceção de qualificatórios. FURIA, INTZ, Sharks, Redemption e W7M foram as representantes nacionais.

Houve ainda atuações interessantes da campeã AVANGAR, que viria a ser vice do Major de Berlim (ALE) apenas quatro meses depois, e da Valiance, renomeada para CR4ZY dois meses após a aparição em solo carioca – em janeiro de 2020, a line foi adquirida pela c0ntact.

Os problemas foram muito maiores do que qualquer mérito esportivo, é verdade. Ainda mais com uma organização tão capenga que fez com que a grande final do torneio de CS:GO fosse assistida apenas por um punhado de gente amontoada em cadeiras de plástico. Mesmo assim, foi um evento que proporcionou momentos interessantes. Relembre alguns:

(Reprodução/Twitter)

Cinco brasileiros, quase seis

FURIA, Sharks e Luminosity foram as primeiras equipes brazucas convidadas diretamente, enquanto a W7M furou o classificatório sul-americano, após uma final apertada diante da Isurus, para assegurar seu lugar. Uma semana antes do início da DH, a LG anunciou que não jogaria para se concentrar na Pro League das Américas, para a qual havia sido convidada para suprir uma desistência. Coube à INTZ repor a vaga deixada.

Dentre as equipes gringas convidadas, AVANGAR, Valiance e AGO, também houve problemas, mas desta vez de saúde com um dos atletas da polonesa AGO. Como o caso aconteceu dois dias antes do torneio, a organização recorreu a uma equipe nacional e surpreendeu ao convidar a Redemption, time pouco expressivo na época. Houve até uma mini polêmica, pois a escolha natural seria alguém entre times como DETONA, paiN ou Imperial.

As duas primeiras teriam compromissos agendados, mas segundo Gustavo “SHOOWTiME” disse em suas redes sociais, a Imperial não foi sequer cogitada pois os organizadores teriam pensado que a formação estava nos EUA. Para completar o quiprocó, a Redemption possuía vínculos empresariais e financeiros com a W7M, já classificada para o torneio, o que levantou sobrancelhas na comunidade.

Aos trancos e barrancos, os oito participantes da DH foram finalmente definidos apenas dois dias antes do início. Foram eles:

🇧🇷 FURIA
🇧🇷 INTZ
🇧🇷 Sharks
🇧🇷 W7M
🇧🇷 Redemption POA
🇪🇺 Valiance
🇰🇿 AVANGAR
🇺🇸 eUnited

Partidas memoráveis

Os jogos da fase de grupos foram mais apimentados do que o esperado. Logo na abertura do grupo A, por exemplo, AVANGAR e eUnited trocaram tiros por 48 rounds no mapa Inferno, com os cazaques eventualmente ganhando por 25 a 23 na md1.

No grupo B, a W7M enfrentou uma equipe europeia pela primeira vez e mostrou garra, apesar de ter faltado fôlego. Derrota por 16 a 13 para a Valiance no jogo de abertura da chave em formato md1 e, posteriormente, revés por 2 a 0 para o mesmo time na decisão por um lugar nos playoffs.

No mata-mata, por sinal, a FURIA se consolidou como grande força do torneio e uma potência nacional. Já havia passado o carro na INTZ no grupo A e, na semi, não deu chances para o experiente elenco da Sharks.

O pecado foi a decisão contra a AVANGAR. Depois de um começo arrasador, com vitória por 16 a 2 no mapa de escolha, Vertigo, veio o banho de água fria na Inferno e, por fim, na Train, na prorrogação, para dar requintes de crueldade ao vice.

Jame fez chover no Rio (Divulgação/ESL)

Fla x INTZ

A ESPN Brasil apurou que o projeto enviado à prefeitura da Cidade Maravilhosa cerca de um mês antes do evento previa orçamento de quase R$ 3,5 milhões, competições em oito modalidades e estrutura moderna. O que foi entregue foi um showmatch de LoL e a única competição que aconteceu nos conformes, o torneio de CS:GO.

O tal do showmatch hoje em dia parece quase um devaneio coletivo por ter acontecido em meio ao caos, mas Flamengo e INTZ, finalistas do CBLoL apenas seis dias antes, duelaram em uma md3. Repetindo o roteiro do torneio nacional, os Intrépidos venceram o Rubro-Negro de virada, por 2 a1, em três jogos soltos e interessantes, repletos de abates e escolhas divertidas de campeões.

Esse pequeno sucesso demonstrou como havia potencial para a DH Open Rio. Foi prometido ao público competições de Rainbow Six, PUBG, Overwatch… Teria sido incrível e uma oportunidade rara para várias equipes dessas modalidades se provarem em um palco. Ficou só no campo da imaginação.

A cereja do bolo é que nem INTZ nem Flamengo receberam as quantias referentes à participação, como revelou outra reportagem da ESPN em janeiro de 2020. O desastre foi completo.