A integridade do PGL Antwerp não tem volta

Abuso de bug que viola as regras naturais do game interfere diretamente nos resultados

A G2 se valeu de um bug provocado intencionalmente por um jogador seu para derrotar a Imperial na Mirage, em partida válida pela segunda rodada do New Legends Stage do PGL Antwerp Major, no último sábado (14/05/2022).

O jovem AWPer russo Ilya “m0NESY” arremessou uma smoke na janela que cobre a área central do mapa para cancelar o utilitário tacado pelo brasileiro Vinícius “VINI” e criar uma one way que impossibilitou a visão dos brasileiros e permitiu abates fáceis para a equipe europeia.

Após a divulgação do caso nas redes sociais, descobriu-se que o russo havia feito o mesmo para levar a partida anterior da G2, contra a Natus Vincere, para o overtime, no mesmo mapa.

A organizadora do evento, a PGL, afirmou que permitiria o exploit por ele fazer parte da atualização mais recente do CS:GO.

Cerca de 24 horas após a repercussão negativa do ocorrido, a Valve anunciou que havia consertado o problema, e ficou tudo por isso mesmo.

Há precedente

O uso indevido de uma falha do jogo remete a 2017, quando a PGL também organizou um Major, desta vez na Cracóvia, na Polônia, e os alemães da BIG se valeram de um bug de pulo para obter vantagem indevida no Inferno contra a FaZe Clan.

O momento mais marcante foi Johannes “tabseN” saltando por cima do muro que protege a região da banana, de acesso ao bomb B, sem que os jogadores adversários pudessem enxergá-lo.

O germânico, por outro lado, tinha visão plena de qualquer um que atravessasse aquela parte do mapa. Esse vídeo explica de maneira didática o que aconteceu, mesmo para quem não domina o inglês.

Em ambos os casos, a conclusão foi similar. A organizadora se isentou da responsabilidade e coube aos próprios jogadores, desta vez por intermédio da Counter-Strike Professional Players’ Association (CSPPA), fazer um acordo de cavalheiros para que ninguém mais explore a falha do jogo.

m0NESY, jogador de CS:GO da G2 — Foto: Reprodução/Twitter
m0NESY rindo na cara do perigo (Foto: Reprodução)

Nas duas situações também o time que foi prejudicado e perdeu não teve oportunidade de se recuperar e, mais ainda, sequer teve a chance de usar o mesmo recurso a seu favor em seguida. Isso não foi justo em 2017 e não é justo em 2022.

É inútil discorrer sobre como a Valve consegue administrar o seu produto mais jogado do planeta de maneira tão porca, então nos concentremos nos administradores dos RMR e do Major e da própria organizadora, a PGL.

Se m0NESY mostrou que a smoke anulava um pixel previamente bloqueado pelo utilitário adversário, então esse administrador e a empresa que conduzem o campeonato deveriam ser destituídas de suas funções pela Valve, ao menos desautorizadas a realizar outros eventos desse porte.

Se ele não mostrou exatamente a profundidade do exploit que estava usando e levou os administradores a entenderem que a situação era diferente, então o rapaz precisa ser suspenso preventivamente e punido exemplarmente.

Não existe diferença alguma em usar programas de cheat e abusar desse tipo de bug, ainda mais em uma partida de nível profissional.

O momento que m0NESY usou o bug foi capital para a Imperial conceder vários rounds do lado TR para os europeus. O jogo estava 2 a 0 para a G2 e era o primeiro armado dos brasileiros.

Com auxílio do exploit, a jovem promessa russa não apenas pegou informação sobre o avanço pelo meio de três jogadores como executou dois deles com auxílio de Nikola “Niko”, que deu suporte ao aparecer pela ligação da base A para o meio.

Graças a esse revés, a Imperial teve de economizar nos armamentos por mais dois rounds e ainda concedeu mais um, para então se reabilitar na partida e emplacar uma sequência de seis rounds seguidos e se recolocar no jogo.

É difícil pensar “e se…” em uma partida contra uma equipe tão qualificada, mas o uso indevido do bug faz com que ninguém tenha de fato certeza de como poderia ter sido. Talvez a G2 ganhase de qualquer maneira ou talvez a Imperial iniciasse a reação mais cedo e fechasse o mapa contra a G2. A incerteza é de responsabilidade exclusiva da PGL, nesse ponto.

A integridade da competição está manchada, independentemente do que aconteça até o final do torneio. m0NESY não deve ser ameaçado nem nada do tipo, mas ele precisa saber que faltou com a honra e o caráter que se espera de atletas profissionais.

Sendo um jovem de 17 anos, isso é importante para a formação dele como pro player.