A FLASHPOINT é um torneio tier1?

Grande investimento faz site especializado classificar assim, mas e quanto à parte técnica?

Neste domingo, a MIBR enfrenta a MAD Lions pelo título da 1ª temporada da FLASHPOINT, liga criada pela Faceit em contra-ataque à Pro League da ESL e substituição à antiga ECS. Enquanto em sites como a Liquipedia.net o campeonato é tratado como “S-tier”, a classificação mais alta, em outros como a HLTV.org ele é ignorado na seção de “Big Events” (Grandes eventos, na tradução livre).

Para a Liquipedia, um torneio é de classe S quando possui “uma premiação extraordinária, é quase exclusivamente jogado offline e tem os melhores times do mundo”, segundo a descrição disponível no próprio site. O único critério que a FLASHPOINT atende é o primeiro, com US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões, na cotação atual) a serem distribuídos, sendo US$ 500 mil destinados ao grande campeão.

A pandemia do novo coronavírus obrigou todo torneio a mudar para o formato online, portanto essa parte das exigências não conta no atual momento, mas sobre reunir os melhores times do mundo é transparente que a FLASHPOINT não reúne. Nenhuma das equipes que ocupam o top 10 do ranking da HLTV está no campeonato e, na verdade, apenas 5 equipes surgem no top 30, dentre 12 participantes. Porém, isso não significa que a questão esteja encerrada.

MAD Lions são o seed 1 do torneio (Divulgação/DreamHack)

Fora da bolha

Um dos intuitos da FACEIT e dos organizadores da FLASHPOINT, o que inclui o polêmico Duncan “Thorin”, era quebrar o status quo do CS:GO, amplamente dominado pela empresa alemã ESL. A ESL é comandada pelo Modern Times Group, um conglomerado empresarial sueco que controla canais de TV, rádio e, voltando ao universo dos Esports, as DreamHacks.

Quem se dá bem nos rankings e quem ganha visibilidade (e dinheiro) geralmente é o time que tem bom desempenhos em torneios da ESL ou nos Majors, que várias e várias vezes são operados pelos alemães também. Assim, a FLASHPOINT seria um ponto fora da curva e uma tentativa de antagonizar os titãs, criando um sistema rival e mais voltado aos times e ao público.

Assim, a ideia é questionar quem seriam os melhores times e é possível analisar ponto a ponto. Das 12 equipes da liga, duas estiveram no último Major, MIBR e c0ntact, à época com o nome de CR4ZY. MAD Lions é a melhor ranqueada na HLTV e vem consistentemente conseguindo bons resultados contra equipes gigantes. Em 2020, já derrotaram times como ENCE, OG e Virtus.pro e fizeram duelos apertados diante de mousesports e G2.

É inegável também que times como Copenhagen Flames, que se classificou para o extinto Minor europeu, HAVU, Envy e c0ntact (ex-CR4ZY) têm nível para estar em um Major e fazer frente a grandes formações. Lógico que ainda não estão no topo, mas não são times de esquina ou desprezíveis, existe um valor agregado em tê-los no torneio.

Veredito

A FLASHPOINT não está no nível da DreamHack Masters ou até mesmo da Pro League, podendo ser um A-tier, mas não pode ser descartada como um torneio relevante. A premiação de US$ 1 milhão e o crescente apelo de público certamente vão atrair mais times de ponta nas próximas temporadas. Equipes como a Team Liquid, FaZe Clan e Ninjas in Pyjamas têm o perfil de buscar novos ares, mesmo depois de assinarem o contrato com a Pro League.

É bom manter em mente que não há santos também. A FACEIT, que opera a FLASHPOINT, não é uma empresa de garagem querendo ser boazinha, é um empreendimento fundado por ex-analistas do mercado financeiro e que, há cerca de 4 anos, recebeu aportes milionários de empresas norte-americanas e europeias especializadas em capital de risco. Dito isso, o foco da nova liga, de fato, parece mais preocupado com desenvolvimento do cenário.

Gigantes como Astralis, G2, Liquid e outras são consolidadas tecnicamente e empresarialmente no meio dos Esports e chegaram ao ponto de os campeonatos precisarem mais deles do que eles precisarem dos campeonatos. A ESL montou nessa comodidade ao não abrir espaço para novas regiões se integrarem a grandes torneios e, principalmente, ao extinguir o antigo formato da Pro League e deixar diversas equipes em ascensão a ver navios. A FACEIT ao menos tenta inverter a lógica.